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ENABLE
As Pessoas
com Deficiências e o Computador
Um vídeo
em texto
- Uma produção Microsoft Enable -
Índice
Prefácio
Notas
Michael Williams (Vídeo
legendado em Português)
Krista Caudill (Vídeo
legendado em Português)
Produção
Prefácio
A deficiência é normal na vida. Todos nós sentiremos alguma
deficiência significativa, nalgum momento. Por vezes,
é temporária; mas, outras, é permanente. Há pessoas que nascem com uma
deficiência, enquanto outras a desenvolvem ao longo dos anos. Mas a maioria
surge na idade adulta, independentemente do tipo de deficiência em questão.
Assim, o vídeo "Enable" não é só acerca "deles" (as pessoas com
deficiências) é acerca de si, de mim, de todos nós.
Há apenas duas décadas, ser portador de uma deficiência significativa geralmente
equivalia a ficar isolado do resto do mundo. Considere-se como exemplo uma
pessoa surdacega, que teria de passar a vida convenientemente afastada,
numa instituição de solidariedade social. No vídeo "Enable", aparece
uma estudante universitária que é surdacega. Vamos ver um homem que passou
toda a vida numa cadeira de rodas, o que não o impediu de tocar tambor na
banda filarmónica de uma escola secundária. Conheceremos um professor cuja
articulação de palavras é ininteligível. E um homem, paralisado do pescoço
para baixo, que dirige várias empresas. Assim como um par de malabaristas
mundialmente famosos, os Karamazov Voadores, que nos ajudam a compreender
o significado da acessibilidade. No vídeo "Enable", veremos estas
e outras pessoas com deficiências, cujas vidas, há apenas 20 anos, podiam
ter sido mundos isolados.
Como é isto possível? O que se alterou nos últimos 20 anos, para haver tamanha diferença nas vidas das pessoas com deficiências? Apareceu o
computador pessoal!
Um computador pessoal pode tornar-se numa ferramenta, que permite às pessoas
trabalhar, aprender, criar e comunicar, de formas que de outra maneira seriam
difíceis ou impossíveis. O vídeo "Enable" mostra como é que as pessoas com
deficiências estão a usar o computador pessoal, em casa, no trabalho e na
escola, para lhes permitir viver vidas produtivas e preenchidas.
Pensado para divulgação ao público em geral, as produções Microsoft Enable
criaram este vídeo, não promocional, por forma a contribuir para a
melhoria da atitude genérica da população para com as pessoas com
deficiências. Embora a tecnologia tenha um papel fundamental nas vidas de todos
os participantes, reconhece-se no final que o essencial é que ocorra uma
alteração de base na atitude da sociedade em geral para com as pessoas com
deficiências. Caso contrário, "nada disto [avanços tecnológicos]
importa", como declara um dos participantes no vídeo.
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Notas
- As descrições de cenas que aqui se apresentam não são idênticas à
descrição narrativa do vídeo "Enable", fornecida pelo Descriptive Video
Service® da WGBH Educational Foundation.
- Todas as entrevistas, incluindo as que tiveram lugar no restaurante, são
apresentadas tal como foram recolhidas. Não houve qualquer tratamento das
palavras. Assim, ocorrem muitos "âhm", pausas e frases incompletas,
componentes naturais da língua falada.
- O vídeo é composto por 15 secções, além do genérico final. Cada
secção é apresentada sob a forma de uma lista de títulos (as descrições)
com as definições destacadas (as legendas). O nome ou título da fonte, ou
do orador, aparecem entre parênteses rectos ([professor], por exemplo)
seguindo-se as legendas respectivas nas linhas seguintes. Um exemplo:
-
[David]
Este é um exemplo
das legendas do David.
Nota para utilizadores de leitores de ecrã: as linhas das legendas estão
divididas em blocos separados por quebras de linhas, para que fiquem com um
aspecto idêntico às legendas no ecrã da televisão.
Se um dos intervenientes interromper o discurso de outra pessoa, o nome
surge entre parênteses rectos, mas na mesma linha que as legendas. Um exemplo:
-
[David]
Este é um comentário numa linha.
As informações que são apresentadas para maior esclarecimento, mas que não
fazem parte da descrição da cena, aparecem entre chavetas. Um exemplo:
-
- Todas as mensagem que são apresentadas no ecrã são descrições centradas
e em negrito.
- No início de cada secção, é dado um momento temporal de referência, com
horas, minutos e segundos. Por exemplo: 0:12:30 indica zero horas, 12 minutos
e 30 segundos de vídeo decorridos.
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Michael Williams
-

Aparece uma citação:
-
"Nunca consente arrastar-se
aquele que sente vontade de voar."
-
- Helen Keller -
Aparece uma mensagem:
Michael Williams preparou
as respostas antes da gravação.
- A cena inicia-se com o Michael na cadeira de rodas,
a ir rapidamente pela rua abaixo. Na verdade, o que não se vê nem o
público sabe, é que o Michael está a tentar deixar para trás o pobre
do operador de câmara, que vai a pé.
- [Michael]
Chamo-me Michael Williams.
Sou escritor e consultor
com uma deficiência
chamada paralisia cerebral.
- Nesta cena, o Michael está na sala de estar, com
o dispositivo de comunicação com saída de voz ao colo. Carrega numa
tecla do aparelho para reproduzir as frases gravadas, sequencialmente.
À direita dele aparece uma mensagem:
Michael Williams -
Escritor/Consultor
- [Michael]
Sou deficiente
desde que nasci.
Nunca deixei que, por causa disso,
perdesse a vontade
de fazer o melhor que puder
da minha vida.
Actualmente, as minhas actividades
principais centram-se totalmente
no campo da comunicação
aumentativa e alternativa.
- A câmara percorre um boletim informativo escrito
pelo Michael.
- [Michael]
Escrevo um boletim acerca
de comunicação aumentativa,
chamado "Alternativamente Falando".
Sou membro
da comissão executiva
da Sociedade Internacional
para a Comunicação
Aumentativa e Alternativa
ou ISAAC.
- A cena prossegue, na sala de estar do Michael.
- [Michael]
Sou o primeiro beneficiário
da comunicação aumentativa
a participar nesta comissão.
Também participo num
projecto da Universidade do Estado
da Pensilvânia, que investiga
a possibilidade de acompanhar
utilizadores de comunicação aumentativa,
recorrendo ao correio electrónico.
Já deve ter reparado que algo
estranho está a ocorrer.
Desde que iniciei o meu discurso
ainda não movi os lábios.
E não estou a treinar para
ser ventríloquo.
Se tivesse tentado comunicar
estas informações
com a minha voz biológica,
poucas pessoas conseguiriam
compreender as minhas palavras.
- Para demonstrar como é difícil compreender a verdadeira
voz que tem, o Michael diz: "Esta é a minha voz, sem o equipamento"
Conforme fala, apresenta uma expressão contorcida, comum a muitas pessoas
com paralisia cerebral.
- [Michael]
Este dispositivo de comunicação
com saída de voz é apenas
uma das muitas ferramentas do
meu arsenal de tecnologias de apoio,
que utilizo para comunicar os meus
pensamentos ao mundo exterior.
Para além deste dispositivo de
comunicação com saída de voz,
também utilizo frequentemente
o correio electrónico e o fax.
Para além destes aparelhos
- de alta tecnologia,
também utilizo um quadro de
letras, sem tecnologia especial.
- O Michael mostra um quadrobranco, com grandes letras
pretas de imprensa.
- [Michael]
Com isto componho palavras,
letra a letra.
Isto limitava-me muito em termos
das pessoas com quem podia comunicar.
De facto, não se pode
usar um quadro de letras
para falar com uma criança,
um cego
ou alguém com dislexia.
- A próxima cena decorre no quintal em frente à casa
do Michael, onde ele está a ler um livro.
- [Michael]
O meu aparelho de comunicação com
saída de voz ajuda-me na afirmação
como ser consciente em comunidade,
quando saio de casa.
Isto é muito importante para mim,
porque acho que há fulanos
que têm tendência para olhar
para as pessoas com deficiências da fala
como gente com um parafuso a menos.
- O Michael está a escrever muito lentamente no teclado
do computador. O dispositivo de comunicação com saída de voz está à
direita dele.
- [Michael]
A tecnologia moderna
auxiliou-me imenso
na minha luta para ser
um ser humano completo,
que participa na sociedade
de forma significativa.
Mas nem sempre
foi assim.
Como podem ver, não
pertenço à "Geração X".
Nasci no final dos anos 30,
quando nem sequer se
sonhava com estas tecnologias.
O meu primeiro equipamento
de tecnologia de apoio
foi a normalíssima máquina
de escrever do meu avô.
Usei máquinas de escrever
para comunicar,
em todos os níveis
do ensino básico e secundário
e nos meus primeiros
anos de faculdade.
No final dos anos 70, fui
a primeira pessoa no meu bairro
a ter um computador pessoal.
Quando me apercebi das possibilidades
que esta máquina trazia
para a minha vida,
tornei-me um adepto entusiástico
da utilização desta tecnologia
na vida das pessoas
com deficiências.
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Krista Caudill
- Aparece uma citação:
"Nunca desistas...
seja qual for a situação, nunca
aceites a realidade."
- Ruth Gordon -
- A cena inicia-se com a Krista, uma estudante universitária
surdacega, que caminha para a sala de aulas, acompanhada por um intérprete
pessoal. A intérprete fala por ela. Depois, já na sala de aulas, o professor
fala acerca do "destino". Simultaneamente, a intérprete transmite
as palavras do professor, através de língua gestual táctil.
-
[Krista]
Chamo-me Krista Caudill.
Sou surdacega
e estudo na
Universidade do Delaware,
onde estou a tirar uma licenciatura
em informática
e um bacharelato
em ciência cognitiva.
[Professor]
O destino, sugiro eu,
representa um conjunto
de possibilidades relativas
àquilo que poderão vir a ser;
representa a utilização máxima
do vosso potencial.
Por isso, o que volto a realçar
é que, nas culturas tradicionais,
faz parte da vida: o ser
muito... o ser de importância crucial
cada um descobrir
o local a que pertence -
não apenas o local onde todos
querem que estejamos,
mas o local a que pertencemos.
- A Krista senta-se na fila da frente, com aintérprete
à esquerda dela. Ela lê os sinais da intérprete apenas com a mão esquerda.
-
[Krista]
Considero que o destino está associado
àquilo que as pessoas conseguem fazer,
mas o meu destino,
certamente,
situa-se no
campo da informática.
E considero que o facto de ser
surdacega
afectou o meu destino.
Na prática, nasci
surda e cega.
Tenho um problema genético
que afectou a
minha audição e a minha visão.
- A Krista senta-se no vestíbulo, fora da sala de
aula, com a intérprete.
Aparece uma mensagem:
Krista Caudill -
Bolseira
Fundação Nacional para a Ciência
-
[Krista]
Quando os meus pais descobriram
que eu era cega, âhm...
eles... eles sentiram-se
muito perdidos, evidentemente.
Não sabiam o que haviam de fazer,
perguntaram a médicos, coisas como
"O que devemos fazer
com a nossa filha?"
E os médicos diziam-lhes
"Vão para casa e rezem",
e nada mais.
Obviamente, isto não é
uma grande ajuda.
Por isso, os meus pais realmente
fizeram um belo trabalho,
ao dar-me uma educação
e tudo o mais,
até hoje.
Gosto muito de estudar
na Universidade do Delaware.
Recebi uma
bolsa experimental
da Fundação Nacional
para a Ciência,
no valor de 98.000 dólares,
com a duração de dois anos...
Esta bolsa vai ser usada
para desenvolver um aparelho
para os surdocegos,
que se destina a converter
a fala em Braille
e o Braille em fala,
para que os surdocegos
possam comunicar de forma
mais independente
com as pessoas
que não conhecem a língua gestual.
- A cena seguinte decorre no exterior. É um dia
de Inverno e o chão está coberto de neve. Fora da sala de aulas, a Krista
utiliza um livro de caracteres e palavras em Braille para comunicar
com um homem.
-
[Krista]
Alguns dos outros métodos
de comunicação que tenho actualmente
são muito demorados.
Tenho um livro com
letras em Braille
e caracteres de imprensa,
para poder comunicar
com as pessoas que não
sabem língua gestual,
apontando
para as letras.
Âhm... é um método
extremamente lento.
- A seguir, a Krista está em casa dela, a trabalhar
com um computador no quarto. Usa um teclado normal, com um terminal
Braille por cima da caixa do computador, à frente do teclado. O monitor
do computador, que não está ligado, está afastado para a esquerda do
computador. Pode-se ver e ouvir a Krista a dactilografar rapidamente,
com pausas intermitentes, para ir com a mão esquerda ler o terminal
Braille.
-
[Krista]
Estou certa de que os computadores
podem dar às pessoas com deficiências
condições justas de concorrência.
No meu caso, desfez-se uma enorme
barreira a nível de comunicação.
Andava em salas de chat
a comunicar
com imensas pessoas;
e numa certa sala,
o meu namorado estava lá...
nessa sala, a conversar.
Pareceu-me ser
uma pessoa muito simpática
e começámos a conversar
cada vez mais
um com o outro,
através da Internet.
E desde aí,
começámos a namorar
e estamos juntos
há mais ou menos três anos.
Isto aconteceu perfeitamente por acaso-
foi a forma como calhou
encontrarmo-nos.
Eu não estava, de forma alguma, a usar o
computador como um serviços de encontros.
Uso o computador muitas vezes
para entrar em contacto com ele.
É uma forma maravilhosa
de nos mantermos em contacto.
Há pessoas que se perguntam: como é que
uso um computador, se não consigo ver?
Tenho um terminal Braille, que é um aparelho
com oito pinos, que se levantam,
como no código Braille,
para fazer
o que quiser no computador,
como as outras pessoas.
Na prática, elimina a minha
deficiência no uso dos computadores.
Há coisas que
não posso fazer:
evidentemente, não posso ver imagens;
não posso ouvir sons.
Mas continuo a achar
que posso fazer quase todas as coisas
que fazem as pessoas
sem deficiências.
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Uma produção Microsoft Enable
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os direitos reservados.
Este vídeo pode ser copiado e distribuído integralmente,
para fins educativos ou outros, não-lucrativos.
Qualquer outro tipo de utilização está pendente de permissão escrita
da Microsoft Corporation.
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