O Significado dos Símbolos

 

 

As Potencialidades da Utilização de Símbolos

 

 

 

 

 

 

 


Este folheto destina-se a instituições, professores, pais e educadores que desenvolvam actividades com crianças e adultos com dificuldades de aprendizagem, e que possam reconhecer as potencialidades da utilização de símbolos no seu trabalho.

Procuramos explicar o que são símbolos, como podem ser úteis e como identificar as principais questões relacionadas com a utilização de símbolos.

 

Este folheto pode ser fotocopiado, desde que com conhecimento do seu autor.

 

 

Ficha Técnica

 

Versão original: ã 2000 Widgit Software Ldt

Composição e edição: Cnotinfor, Lda.

Tradução e adaptação para português: Patrícia Correia e Teresa Pinto

 

 

ã 2000 Widgit Software Ltd

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Conteúdos

 

1.    Símbolos: A Quem Podem Ajudar?- 4

2.    O que São Símbolos?- 5

3.    Porque Utilizar Símbolos?- 7

3.1.   Como Meio de Comunicação-- 7

3.2.   Como Fonte de Informação-- 7

3.3.   Como Forma de Escrever- 8

3.3.1.   Grelha ou “Janela de Envio” no Ecrã- 9

3.3.2.   Teclados de Conceitos- 9

3.3.3.   Tutor 11

3.4.   Como Auxiliar ao Texto Comum-- 11

4.    Que Tipos de Símbolos Existem?- 12

5.    Tipos de Símbolos- 12

5.1.1.   Símbolos Reconhecíveis- 13

5.1.2.   Símbolos Representativos- 13

5.1.3.   Símbolos Ilustrativos – traduzem conceitos abstractos- 14

5.1.4.   Símbolos Abstractos – necessitam de explicação- 14

6.    Alargar o Significado e Representação dos Símbolos- 15

7.    Conjuntos de Símbolos e Utilização de Símbolos Próprios- 16

8.    Informação Acessível: Criar Escrita com Recurso a Símbolos- 17

9.    Literacia com Recurso a Símbolos- 18

9.1.   Introduzir os Símbolos- 18

9.2.   Auxiliar o Desenvolvimento Inicial da Linguagem-- 19

9.2.1.   Correspondência de Símbolos e Reconhecimento da Letra Inicial 19

9.2.2.   Reconhecimento e Compreensão de Símbolos- 20

9.2.3.   Fazer Opções e Expressar Opiniões- 20

9.3.   Verificar a Compreensão-- 21

9.4.   Voz e Som-- 21

10.  Material Apropriado para a Leitura- 23

11.  A Educação de Adultos- 23

11.1.   Alguns Exemplos de Utilização-- 23

11.2.   Compreender Direitos e Responsabilidades- 24

11.3.   Informação Acessível: um Aviso-- 25

12.  Outros Recursos- 26


O Significado dos Símbolos

Desde há muito, os símbolos têm sido utilizados para melhorar a comunicação de pessoas com dificuldades físicas e/ou de aprendizagem, através de livros e de quadros de comunicação.

No entanto, só recentemente a utilização de símbolos se revelou como uma ferramenta essencial para o ensino, um auxiliar de aprendizagem e como um contributo para a independência dos seus utilizadores.

 

 

§         Crianças até aos 6 anos, que ainda não utilizam a linguagem escrita – podem começar a ler ao reconhecer e ordenar imagens para comunicar ideias.

§         Crianças com dificuldades de reconhecimento de palavras, soletração ou compreensão, ou que simplesmente necessitem de motivação para escrever – podem ser estimuladas e auxiliadas através das imagens, dos símbolos e do som (por exemplo, crianças com dislexia).

§         Adultos e jovens com dificuldades de aprendizagem – podem utilizar símbolos como forma de acesso à leitura e à escrita, adquirindo assim independência e autonomia.

§         Pessoas que utilizam sistemas de comunicação aumentativa e alternativa (CAA) como recursos normais de comunicação.

 

 


O acesso à informação por parte de pessoas de diferentes culturas e com diferentes capacidades é, cada vez mais, um tema em destaque nos nossos dias. É vulgar encontrarmos documentos escritos em várias línguas e é também comum a preocupação em tornar a informação igualmente acessível a pessoas com dificuldades de aprendizagem.

Por outro lado, também para pessoas que não lêem ou que dominam pouco a leitura, tem sido necessário proporcionar meios para transmitir informações através de formas gráficas de mais fácil compreensão.

 

Uma das formas de poder tornar a informação mais acessível é colocar símbolos junto do texto escrito.

No nosso quotidiano, a utilização de símbolos é já bastante comum, por exemplo, nos aeroportos, onde é frequente a presença de pessoas estranhas à língua do país onde se encontram.

Nas escolas, há vários anos que a utilização de símbolos ilustrados tem constituído um auxiliar para crianças com dificuldades de comunicação e de aprendizagem. Também a nível da Educação de Adultos, o uso dos símbolos revelou-se um instrumento de facilitação do acesso à informação, à aprendizagem e à auto-expressão.

 

A importância da ilustração como ferramenta de apoio à leitura e à escrita, sobretudo para crianças que estão a aprender a ler e escrever, é um dado adquirido.

Ao visualizar a palavra junto da imagem, o leitor certifica-se mais rapidamente do conteúdo da palavra e, consequentemente, torna-se mais confiante.

 

O incremento da utilização do símbolo tem sido significativamente influenciado pelo advento do software de símbolos.

O software Escrita Com Símbolos tem constituído para muitas escolas, instituições, professores e educadores um instrumento de grande utilidade para a criação de novos materiais, bem como para a utilização de formas de escrita úteis para finalidades de vária natureza.

Existem já vários sistemas de símbolos muito completos, que abrangem um vasto vocabulário e uma ampla série de significados. O Escrita Com Símbolos vem alargar o seu leque de finalidades, adicionando-lhes flexibilidade e facilidade de utilização.

 

No Reino Unido, muitos colégios e escolas recorrem regularmente aos símbolos nos seus currículos, para facilitar o acesso à aprendizagem por parte de alunos com dificuldades de compreensão do texto.

Como consequência, as novas gerações, emergem já numa cultura de “literacia simbólica” e que esperam continuar a utilizar no futuro como um meio de comunicação.

 

As gerações anteriores, que há alguns anos deixaram o sistema de ensino, estão menos familiarizadas com a linguagem simbólica.

No entanto, os novos contextos onde agora se inserem (instituições, centros de dia, lares, hospitais, colégios) podem constituir, igualmente, excelentes oportunidades para a utilização dos símbolos como instrumento de aprendizagem e como de incremento de autonomia e independência.

 

 

3.1.       Como Meio de Comunicação

Como meio de comunicação, os símbolos podem apresentar-se na forma de Livros de Comunicação, Auxiliares de Comunicação, rótulos e etiquetas, auxiliares de opção.

Por exemplo, um senhor que sofreu uma doença súbita recorreu a um Livro de Comunicação para o ajudar a dizer palavras que não recordava o significado correcto. Bastava-lhe apontar para o símbolo correspondente que, por sua vez, trazia um pequeno texto explicativo para o seu receptor poder ler. Com este livro, podia comunicar sem dificuldade.

 

3.2.      Como Fonte de Informação

Nas Instituições de Adultos (centros de dia, lares, residências), os símbolos são utilizados para indicar informações do dia-a-dia: ementas, horários, lembretes, etiquetas, planos de actividades, listas de compras, indicações de percursos.

Em empresas e organizações, os símbolos podem ser igualmente úteis para comunicar informações importantes a todos os membros ou trabalhadores.

 

 

As pessoas que estiverem a vender bandeiras e panfletos devem dirigir-se às caravanas da organização às 11.00 h.

 

Existem várias formas de utilizar os símbolos como fonte de informação:

§         Ilustrar um texto informativo de grandes dimensões com um ou dois símbolos que ajudem a sugerir o significado da mensagem.

§         Utilizar símbolos para ilustrar todas as palavras-chave do texto, de maneira a que os leitores adivinhem o seu significado.

§         Atribuir um símbolo a cada palavra da mensagem, quando exista uma grande familiaridade com a utilização de símbolos.

 

3.3.      Como Forma de Escrever

Cada vez mais, os utilizadores de símbolos podem “escrever”. O software de símbolos permite ditar a um tutor que escreve no computador, ou seleccionar símbolos a partir de um conjunto predeterminado numa grelha.

Esta segunda opção dispensa um tutor, no entanto, o vocabulário disponível é mais restrito. Em ambas as hipóteses, o utilizador pode voltar a ler o que “escreveu” e sentir-se, deste modo, mais confiante e seguro relativamente aos documentos produzidos.

Os alunos que não conseguem escrever textos nem usar o teclado, podem seleccionar símbolos dentro de uma sequência. Desta forma, é possível “escreverem” diversos materiais como cartas, listas, etc.

 

Existem três maneiras de auxiliar estes alunos a criarem os seus próprios materiais escritos:

§         Grelha ou “janela de envio” no ecrã

§         Teclados de conceitos

§         Tutor

 


3.3.1.        Grelha ou “Janela de Envio” no Ecrã

O Escrita Com Símbolos permite utilizar uma ou mais listas ou frases de símbolos no documento que se pretende escrever. O conteúdo da “janela de envio” pode ser adicionado ou corrigido muito facilmente e o utilizador pode introduzir novas palavras ou ideias, à medida das suas necessidades.

A desvantagem da “janela de envio” é o facto de ocupar grande parte do campo visual disponível, o que limita o número de símbolos visíveis no ecrã. No entanto, como as janelas são electrónicas, a janela visível pode ser alterada ou substituída por outra, bastando seleccionar uma célula da grelha.

Esta é a forma mais flexível de escrever através da escolha de símbolos. O programa permite ainda utilizar o teclado normal simultaneamente com a “janela de envio”.

 

3.3.2.        Teclados de Conceitos

Um teclado de conceitos pode ser utilizado ao mesmo tempo que um teclado convencional e contém células que podem ser programadas com mensagens de texto e/ou imagem. Estas são enviadas para o computador quando a lâmina é pressionada.

A sua vantagem reside no facto de os símbolos e as células serem grandes, permitindo o acesso de utilizadores que não consigam manipular o teclado normal, o rato ou um interruptor.

Pode ser também um excelente ponto de partida para auxiliar pessoas com dificuldades na escrita.

 

Por exemplo, a Daniela é uma criança com necessidades educativas especiais que nunca tinha visto ou utilizado símbolos anteriormente, mas conhecia a grafia dos seus amigos, e desejava muito poder escrever também. Com recurso à visualização de símbolos num teclado de conceitos e com a explicação gestual de alguns símbolos como “eu gosto” e “amigo”, ela começou a escrever. Primeiro, escolheu “eu gosto”, depois adicionou a imagem da torre de Universidade de Coimbra, que tinha visto no dia anterior. De seguida, a Daniela pesquisou símbolos e imagens relacionados com dança e música, pois lembravam-lhe uma festa do dia anterior.

A Daniela utilizou uma lâmina para cri